segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Luce in the sky with diamonds

Até mesmo num bar destes, irremediavelmente, a porta se abre e deixa entreaver uma cara conhecida e se esboça um sorriso. Lucy estava de volta. Suspirou, como sempre, saudou meia dúzia de habitués e sentou-se no balcão onde Ella ponderava entre um Flamming Sumbuca ou um Amaretto Sour. Lucy leu-lhe os pensamentos e decidiu, sem mais delongas, um Amaretto Stone Sour.

"Assim tão mau?", questionou Ella, aguçada a curiosidade de ver uma alma tão empedernida e fugida do mundo voltar de novo a suspirar por ter amado e ter perdido. Lucy coleccionava tantas almas perdidas como o diabo, sempre disposta a dar este mundo e outro por algum tipo de salvação amorosa. Mas ao contrário do diabo, que engana e ganha, ela perdia e era enganada. Desde há muito que Lucy temia novamente assinar tais tipos de contratos, tendo passado a ditar regras duras e restritivas, que a impediam de voltar a abrir a porta da sua casa e da sua alma a quem quer que se lhe atravessasse à frente.

Ella acreditava já que Lucy passaria o resto dos seus dias a saltitar de partido em partido, fugindo no momento exacto em que o seu relógio interno marcava a hora em que se passava da diversão para a relação séria. Tinha a sua dose de corações destroçados, e demasiadas cirurgias de coração aberto para voltar a sofrer mais um deslize.

"Uma história como todas as outras. Certo dia, dás por ti em não querer saltar da cama. Como se estivesses cansada de fugir, de não assentar. Olhas para o lado, ficas entre o conformismo e a curiosidade da aposta...qual corrector da bolsa, analisas, calculas, ponderas. Eu ponderei semana após semana, esticando cada vez mais o prazo de validade, aproveitando cada momento como se fosse o último. E quando finalmente ganhei coragem e decidi arriscar...acordei sozinha."

"Provaste do teu próprio remédio."

3 comentários:

Sérgio Minhós disse...

Toda a nossa vida arriscamos, caímos e tornamos a cair, as alegrias conseguem ser maravilhosamente enganosas.

Gostei de conhecer um dos teus blogues, só ontem voltei ao meu que andava à tanto tempo a ganhar pó e vi os teus comentérios :).

BJ

SM

abacrombie disse...

é quando estamos no nosso pior, quando já não parece haver mais nenhuma mão para alcançar que descubrimos que muitas vezes a unica que necessitávamos era a nossa.

Rhiakath Flanders disse...

isso de a única mao que necessitamos é a nossa, pode servir para masturbação, mas para uma pessoa se sentir bem, é sempre precisa outra pessoa